Esta tríade que apresenta-se no título desta reflexão de hoje tem me provocado a pensar sobre os trânsitos e representações possíveis nela inserida. A começar pela Literatura Digital, área tão poderosamente difundida na contemporaneidade. Ela tem alterado paradigmas discursivos transversos e acoplando novos suportes, provocando questões sobre sua estrutura estética, e consolidado uma área de pesquisa da literatura com o foco no reflexo da democratização midiática nos acessos e nas produções. Ainda não se pode conceituar, numa estrutura epistemológica, a Literatura Digital em sua manifestação no ciberespaço. Há, ainda, muitas pesquisas investigando este fenômeno – em mutação – e tentando encontrar respostas sobre os efeitos da inserção social nos ambientes digitais. Fato é que é provocador, em diversas esferas. Do ponto de vista neuropsicológico à estruturação da linguagem; da recepção do leitor ao impacto no mercado literário.
Por exemplo: além dos diversos instrumentos hoje existentes para a propagação da literatura digital (como se fosse um ecossistema comunicacional paralelo para pensar as narrativas), há, ainda, mecanismos inteligentes que articulam a interação com o texto, a alteração ou inserção do leitor em uma proposta de reconfiguração dos enredos, ou ainda os recursos (leia-se, aqui, por exemplo, links ou QRCode) que aportam o leitor para um constructo de intermidialidade e multimodalidade. A literatura, neste sentido, busca encontrar caminhos para uma nova dimensão, sem perder a essência e sem correr o risco de permear por uma aventura estrutural que possa desconstruir a identidade.
E o que tem a ver com a Comunicação Popular? Como jornalista e educomunicador, estudei e ainda pesquiso muito sobre o papel de uma comunicação alternativa, descentralizada, democrática, aberta e engajada. Da mesma forma, como pesquisador em Literatura, percebo o quanto foi poderoso o conjunto de movimentos artísticos-literários que alteraram percepções sobre o estado social dos sujeitos na história do tempo. Um exemplo disso foi a Arte Moderna, que impactou a Literatura em gerações de escritores engajados na missão de dar respostas à leitura crítica do espaço – tempo. Hoje, como pesquisador da literatura de Carolina Maria de Jesus (autora da obra Quarto de Despejo – Diário de uma favelada), fico me perguntando onde estão, hoje, as novas Carolinas? De que forma elas produzem as suas narrativas de resistência e de engajamento crítico social? No universo do ciberespaço, quais são os suportes que democratizam a publicização de suas literaturas? Qual o impacto na reconfiguração da sua territorialidade? Qual a história do tempo presente está sendo contada, hoje? Qual a história pública (nesta tríade) está consolidando novas formas de ver as palavras observando as dimensões e os fenômenos do mundo? No próximo encontro, continuaremos refletindo sobre este tema. Ate lá!

Tiago Silvio Dedoné
Mestre em Formação de Gestores Educacionais; Jornalista e Pedagogo; Doutorando em Educação (PUC/PR); Doutorando em História (UPF/RS); Mestrando em História Pública (UNESPAR); Professor na Educação Básica (Colégio ECEL) e no Ensino Superior (Faculdade Dom Bosco




