
A presença feminina no campo vem transformando a produção de cafés especiais no Paraná. Além de assumirem a gestão das propriedades e a condução da lavoura, as produtoras rurais ganham destaque crescente nos pódios de premiações e na abertura de novos mercados. O avanço é impulsionado por ações de capacitação e eventos como o Concurso Café Qualidade Paraná, promovido há 24 anos pela Câmara Setorial do Café e pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), com apoio do Sistema FAEP. As inscrições para a edição de 2026 seguem abertas até 30 de setembro.
Os dados do Sistema FAEP revelam o avanço: em 2024, 32 mulheres chegaram à final do torneio estadual e oito foram premiadas. Em 2025, o número de finalistas subiu para 48, com nove vencedoras nas posições principais. A busca por conhecimento acompanha esse movimento. Nos cursos oferecidos pela entidade nos últimos seis anos, quase 40% das 1.077 pessoas formadas foram mulheres. No programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), presente em 191 propriedades pelo Estado, a liderança feminina também é marca registrada, como em Curióva, onde produtoras comandam sete das 30 propriedades atendidas.

CASOS DE SUCESSO – Sirlene de Souza (Café Juliani – Pinhalão): Nascida em meio à lavoura, adquiriu a própria terra com o marido em 2001 e migrou para o segmento de especiais em 2010. Hoje, cultiva 16 mil pés de café e exporta 70% de sua produção. Acumula títulos como o tetracampeonato regional na Ficafé, vitórias no Concurso Nosso Café e o primeiro lugar na categoria Cereja Descascado no Café Qualidade Paraná em 2022 e 2025.
Flávia Guimarães da Silva Rosa (Café Rosa – Apucarana): Inspirada pela sogra, fundou a marca Café Rosa há sete anos. Cultiva 70 mil pés em parceria com o marido e alcançou o 3º lugar na categoria Natural no concurso de 2024, conquistando o 1º lugar na mesma categoria em 2025. O reconhecimento expandiu suas vendas diretas ao consumidor final e a inserção no mercado externo.
Solange Aparecida de Araújo (Café Amadeu’s – Apucarana): Retornou ao campo após anos na cidade e assumiu a propriedade da família em 2015, onde cultiva 6 mil pés de café. Em 2025, seu lote atingiu 88,19 pontos na avaliação sensorial. Por meio da Rodada de Negócios do Sistema FAEP, viabilizou a comercialização direta de sua produção para torrefações da capital paranaense, encurtando a distância até o mercado consumidor de Curitiba.
A conexão entre a produção rural e o mercado comprador tem gerado bons frutos. O mestre de torra Henrique Murayama Wogel, da Haru Torrefação, arrematou o lote de Solange na última edição para uma tiragem especial da marca e ressalta a relevância da visibilidade feminina e da alta qualidade técnica alcançada pelas cafeicultoras paranaenses.
A 24ª edição do Concurso Café Qualidade Paraná premiará os cinco primeiros colocados nas categorias Natural e Cereja Descascado, além dos destaques regionais. A divulgação dos vencedores e a etapa de negociações comerciais ocorrem no dia 17 de novembro, em Curitiba.



