Uma investigação de extrema gravidade chocou o município de Ibaiti, no Norte Pioneiro do Paraná nesta segunda-feira (4), após a prisão preventiva de um casal residente no distrito de Campinho. Eles são os principais suspeitos de envolvimento no estupro e na morte da própria filha, Melissa, uma bebê de apenas 28 dias de vida. O caso de violência brutal e negligência foi descoberto quando a recém-nascida deu entrada na Santa Casa de Cornélio Procópio em estado gravíssimo.
Socorrida por uma equipe do Samu, Melissa chegou à unidade de saúde desacompanhada dos responsáveis por volta das 16h30. Durante os procedimentos de reanimação, que duraram cerca de uma hora antes da confirmação do óbito, o corpo médico identificou sinais nítidos de violência física e indícios de abuso sexual. Exames de raio-x realizados no hospital confirmaram lesões internas severas, o que levou ao acionamento imediato das polícias Civil e Militar.
De acordo com o delegado responsável, Adriano Diogo Coelho, o comportamento dos pais ao chegarem no hospital, já no início da noite, reforçou a linha de investigação. Testemunhas relataram que o casal não demonstrou reações emocionais condizentes com a perda da filha, parecendo mais preocupados com uma possível detenção. Durante o interrogatório, os suspeitos apresentaram graves contradições e não souberam explicar a origem dos ferimentos.
A autoridade policial destacou que, como ambos dividiam os cuidados diários e a troca de fraldas da bebê, seria impossível não notar os ferimentos na criança. A prisão em flagrante, posteriormente convertida em preventiva, baseou-se na omissão criminosa do dever de cuidado e na demora injustificada em buscar socorro médico.
A investigação agora conta com novos elementos, incluindo vídeos postados pela mãe em redes sociais na véspera do crime, que mostram a rotina com a bebê e devem ser periciados. O corpo de Melissa foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Londrina, onde exames de necropsia e laudos da Polícia Científica devem confirmar a extensão dos abusos e a causa exata da morte para a conclusão do inquérito por estupro de vulnerável seguido de morte.
NOTA LEGAL – Em conformidade com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a identidade dos pais não foi revelada para preservar os outros filhos do casal, que também viviam na residência.
Enquanto o casal permanece detido à disposição da Justiça, o Conselho Tutelar e a Assistência Social de Ibaiti assumiram o acompanhamento dos demais menores da família, garantindo sua integridade física e psicológica diante da tragédia.




