(Redação com informações Portal TNOnline) – Um jovem de 24 anos foi indiciado por estelionato pela Polícia Civil do Paraná após fingir, ao longo de cinco anos, que sofria de leucemia. Morador de Cambira (distante a 172 km de Bandeirantes), no Norte do estado, o investigado utilizava vaquinhas virtuais, rifas, bazares beneficentes e doações diretas sob o pretexto de custear um suposto tratamento oncológico. No entanto, as investigações apontam que os recursos arrecadados eram desviados para manter um estilo de vida luxuoso e bancar viagens turísticas. A farsa era tão bem estruturada que o suspeito conseguiu enganar os próprios familiares, que também chegaram a fazer doações financeiras.
Segundo o delegado Victor Hugo Torres Bento, da 17ª Subdivisão Policial de Apucarana, o esquema começou a ser desmantelado após denúncias de doadores que desconfiaram das campanhas de arrecadação. Para sustentar a mentira e dar credibilidade ao golpe, o jovem falsificava laudos e documentos médicos. Ele chegou inclusive a criar um perfil falso de um médico na plataforma de mensagens WhatsApp para simular atualizações sobre o estado de saúde e reforçar os apelos financeiros. O esquema ruiu em definitivo quando a polícia consultou os hospitais citados nas campanhas — entre eles o Hospital do Câncer de Londrina, unidades em Cascavel e o Hospital Albert Einstein, em São Paulo — e confirmou que o investigado nunca havia dado entrada ou recebido atendimento em nenhuma das instituições.
A linha de investigação policial revelou que os períodos em que o rapaz alegava estar viajando para realizar procedimentos médicos coincidiam com passeios de lazer. O jovem utilizava as redes sociais para ostentar idas a restaurantes de alto padrão na capital paulista e visitas a parques de diversão, como o Beto Carrero World, em Santa Catarina. Ao ser confrontado com as provas durante o interrogatório na delegacia, o investigado confessou o crime e admitiu que jamais teve a doença.
Até o momento, a Polícia Civil conseguiu rastrear cerca de R$ 5 mil obtidos de forma ilícita por meio de plataformas virtuais, mas a estimativa das autoridades é de que o prejuízo total seja substancialmente maior, considerando o volume de doações em espécie feitas ao longo dos cinco anos de fraudes. O jovem responderá pelos crimes de estelionato e, possivelmente, falsidade ideológica. Como não houve prisão em flagrante, ele aguarda o andamento do processo judicial em liberdade. A polícia orienta que outros moradores da região que tenham realizado doações procurem a delegacia para registrar o boletim de ocorrência, uma vez que cada repasse financeiro fraudulento pode ser enquadrado como um novo crime de estelionato.




