O Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR), por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEVID) e Comarca da Justiça de Bandeirantes e Santa Amélia, realizou a 32ª Semana Nacional da Justiça pela Paz em Casa. O esforço concentrado coincide com as celebrações do Dia Internacional da Mulher (08 de Março) e mobiliza o Judiciário em todo o país para reforçar o enfrentamento à violência doméstica e ampliar as ações de conscientização e proteção.

Em Bandeirantes, o encontro que marcou a campanha aconteceu no último dia 11, na Câmara de Vereadores, reunindo alunos da segunda série do Colégio Estadual Cyriaco Russo. A juíza de Direito da Vara Criminal, Tatiana Hildebrandt de Almeida, conversou diretamente com os estudantes, com atenção especial às garotas, sobre a importância da conscientização e do papel do Judiciário no combate à violência contra a mulher. “Objetivo é fazer com que a haja um alcance maior da Lei Maria da Penha, que essa juventude saiba que existem leis de proteção à mulher onde a proposta é integrar a atuação do Judiciário, bem como conscientizar e prevenir agressões, garantir a segurança das mulheres e assegurar a devida responsabilização jurídica”, comentou.

O promotor de Justiça Bernardo Marino Carvalho, titular da 2ª Promotoria da Comarca, enfatizou durante o evento que o silêncio é um dos maiores obstáculos para a Justiça. Ele explicou que o aumento nos números de casos registrados não indica necessariamente um aumento na criminalidade, mas sim que mais mulheres estão tendo coragem de denunciar e buscar ajuda. “Demonstra que muitas estão buscando romper a ‘bolha’ da violência, do medo, da vergonha”, destacou e detalhou os diferentes tipos de violência que a mulher pode sofrer como a física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. “A medida protetiva é um instrumento jurídico ágil para garantir o afastamento do agressor. E o descumprimento é crime e pode levar à prisão. É essencial que a vítima deve denunciar para polícia militar, polícia civil ou diretamente no Ministério Público”, citou. A promotora de Justiça Virginia Prado Domingues também esteve presente ao evento.

IMPACTO EMOCIONAL E PSICOLOGICO – No encontro com os estudantes, a dimensão emocional do problema foi abordada pela psicóloga judiciária, Renata Aparecida Salermo de Brito Alvarenga. Em seu relato, ela alertou para as graves consequências psicológicas sofridas por adolescentes que crescem em lares violentos. Segundo a especialista, o convívio contínuo com a agressividade pode levar o jovem a naturalizar esse comportamento, replicando-o em suas futuras relações.

A psicóloga ressaltou que a presença do Estado e da educação são fundamentais para a quebra desse ciclo, permitindo que a nova geração compreenda que a violência não é um padrão aceitável de convivência. O evento em Bandeirantes reafirma que o combate à violência doméstica exige uma rede de apoio sólida, unindo as esferas jurídica, policial e psicossocial para garantir paz e segurança às mulheres.

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui