No plano espiritual, a empatia é mais do que um sentimento: é uma manifestação da unidade. É um momento em que a alma de um ser reconhece, com reverência, a existência divina na alma do outro. É como se, por um breve instante, o véu da separação  se dissipasse, revelando que somos todos expressão do mesmo sopro vital.
Empatia é olhar com o coração desperto.

Quando a cultivamos, deixamos de ver o outro como um “alguém” separado de nós e passamos a percebê-lo como parte do Todo – um fragmento do mesmo mistério, do mesmo silêncio primordial que nos habita.
Na sabedoria espiritual de diversas tradições, amar o outro como a si mesmo é uma das maiores leis. Mas só através da empatia esse amor se torna possível. Porque empatia é a escuta da alma. É sentir sem invadir. É tocar sem ferir. É acolher sem exigir mudança. É ser presença viva e luminosa no campo do outro, como uma vela que acende outra sem se apagar.


Ao praticar empatia, nos tornamos canais de cura. Não por nossas palavras, mas por nossa vibração. Pela paz que levamos, pela luz que silenciosamente oferecemos.
Tivemos uma demonstração real, silenciosa e amorosa da empatia há poucos dias.
Uma jovem, não sabemos como, caiu num vulcão e ficou lá, sozinha, à espera de um resgate.
E um outro jovem, desconhecido até então, movido pela empatia e amor fraterno, mobilizou-se junto com outras pessoas para ir em busca daquela desconhecida, esperando poder encontra-la viva. E ainda que isso não tivesse acontecido quando a encontrou, ficou lá, ao lado daquele corpo, guardando-o até que pudesse leva-lo de volta, para que os familiares pudessem despedir-se de forma digna, talvez amenizando um pouquinho a dor da perda.

Fico imaginando o que se passa na cabeça de uma pessoa assim, que se arrisca, que se compadece com a dor e o desespero de desconhecidos.
Na cabeça eu não sei o que se passa, mas no coração, sei que carrega virtudes nobres que o coloca em ação para o bem maior e da forma mais elevada.
Isso contrasta bem com aquelas pessoas que ainda vibram  na separação, na ilusão do poder, que colocam em risco a vida de milhares de pessoas.
Qual o sentido disso?

Ser empático é, em última instância, lembrar: eu sou porque nós somos. E nesse reconhecimento, há a certeza de que estamos todos interligados e de que estamos aqui a serviço da unidade, cada um com os seus dons, com os seus talentos, servindo a um propósio maior para o bem de todos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui