Angélica Gobatto durante o uso da palavra na última sessão da Câmara de Vereadores

Os vereadores de Bandeirantes se reuniram na noite desta segunda-feira (23) para a 15ª Sessão Ordinária do ano legislativo de 2022. Após a leitura e votação dos requerimentos e projetos de lei, a ONG Reviva, representada pela voluntária e membro da organização sem fins lucrativos, Angélica do Nascimento Gobatto, usou a tribuna livre da casa de leis para expor a situação da entidade e dos animais abandonados pelas ruas da cidade e/ou que sofrem maus tratos por seus tutores. Ela também discursou em nome do Projeto Bicho (outra ONG protetora de animais) e ainda de dezenas de voluntários protetores de animais da cidade.

Segundo Angélica, o uso da tribuna se deu mediante à necessidade de maiores esclarecimentos quanto aos comentários levantados na 14ª Sessão Ordinária por uma gestora pública de cargo de comissão da Prefeitura de Bandeirantes em questionar o repasse de pouco mais de R$ 27 mil de recurso parlamentar impositivo. Tal recurso é destinado anualmente e são os vereadores quem indicam para onde, qual e quanto.

De acordo com a voluntária da ONG, a participação na tribuna livre já estava prevista pelo grupo, entretanto, devido ao ‘infeliz comentário crítico’ foi preciso antecipar a visita no Legislativo. “Na fala da respectiva autoridade pública, ela disse estar ‘muito triste’ com a ação dos vereadores de repassarem pouco mais de R$ 27 mil para o cuidado de ‘bichos’, sendo que a prioridade é o cuidado de crianças e idosos”, repetiu e argumentou sobre a ‘triste observação’. “Sabemos que a prioridade são as crianças e idosos, porém, dá para ajudar todo mundo. Crianças e idosos têm onde recorrer quando adoecem porque tem o SUS, pelo município tem as verbas destinadas para as secretarias. Já os animais não. Quando algum animal está ferido na rua, abandonado, atropelado, ou passando fome, ninguém pega para ajudar. Porque esse animal tem custo e ninguém quer arcar com isso”, enfatizou.
A voluntária lembrou ainda que os governos federal e estadual possuem programas voltados para a criança e idosos, além dos estatutos que os defendem, como ainda suas famílias que podem zelar por eles, e quando não têm, o estado passa a se responsabilizar. Já na causa animal, não há quem os defenda. Pouca ou quase nenhuma política pública acontece nas cidades e se ocorre, são pelas ONGs. “Estamos há sete anos com a ONG e nunca recebemos nada do poder público. Até hoje mantemos com a ajuda da comunidade. A população que nos mantém em pé com as doações, comprando as nossas rifas ou o que estivermos vendendo. Essa emenda impositiva que nos foi indicado ajudará e muito, já que não temos nada”, destacou Angélica.

Durante a sessão na tribuna livre, a representante da ONG disse que a principal dificuldade da entidade é não ter um local para abrigar os animais recolhidos. “Como não temos um canil, são sempre as mesmas pessoas que recebem os animais, e fica difícil, porque muitas vezes já tem outros animais recolhidos. Nós estamos aqui para pedir socorro. Precisamos de ajuda e nos resta recorrer aos vereadores”, enfatizou e apresentou o gasto médio mensal em torno de R$ 7 mil.

Os cuidados com os animais, principalmente os que são abandonados, são todos custeados pela própria ONG Reviva e com apoio das clínicas veterinárias, os valores são diferenciados. “Os veterinários nos ajudam cobrando mais barato com as consultas e tratamentos, mas mesmo assim, são muitos animais que dependem dessa nossa ajuda”, ressaltou.
A emenda impositiva de R$ 27 mil ainda não foi repassada.

Após o uso da tribuna, os vereadores se colocaram à disposição dos responsáveis da ONG e também do Projeto Bicho. O vereador Gustavo do Té se prontificou a repassar para o próximo ano o valor de R$ 8 mil. A vereadora Sonia Zambone disse que destinará R$ 15 mil em 2023 para o cuidado dos animais. “Todos merecem cuidados, crianças, idosos e também os animais, não devemos excluir ninguém”, enfatizou Sonia Zambone. (Redação)

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