Dia desses assisti um vídeo numa rede social, mostrando um carro que bateu na traseira de outro. Um pequeno acidente de trânsito que poderia ter consequências desastrosas. Mas o que aconteceu foi surpreendente.
Os motoristas de ambos os carros desceram e o que bateu estava visivelmente abalado. O homem do carro da frente, em vez de ficar bravo, talvez gritar, quis saber se o outro estava bem, conversaram e se abraçaram.
Não sei o que o motorista do carro que bateu sentiu naquela hora, mas provavelmente, ficou surpreso e muito aliviado. Isso me lembra um fato que aconteceu comigo há poucas semanas.

Eu atravessei uma preferencial e estava devagar, pois tinha parado na esquina. Porém, o carro apresenta um ponto cego perigoso e acabei atravessando a rua na frente de uma moto. Quando avistei o motociclista, estava na frente dele que, se estivesse em alta velocidade (o que é muito comum, diga-se de passagem), teria batido na lateral do meu carro. Lembro-me que parei e fiz sinal para o senhorzinho da moto parar também porque eu queria me desculpar por não tê-lo visto e pelo susto. Ele parou do meu lado, muito tranquilo e sereno e apenas disse: Não tem problema. Só não passa por isso quem não dirige.
Confesso que fiquei desarmada com aquela atitude e grata porque, de alguma forma, sei que fomos protegidos por forças maiores. Por outro lado, o motorista de uma camionete que vinha logo atrás, passou xingando porque eu tinha parado no meio da rua: “Você devia ter estacionado o carro!” Observação: a rua era beeem larga. Dava para ele passar tranquilamente.

Imagem de Anja por Pixabay

Eu estava errada? Obviamente que, sim. Mas isso é assunto para outro dia…
Então, antes de qualquer guerra existir entre duas pessoas, ela provavelmente já aconteceu dentro de pelo menos uma delas porque nós carregamos armaduras invisíveis construídas a partir de rejeições, abandonos, decepções e palavras que nunca esquecemos.
Com o tempo, passamos a acreditar que estar emocionalmente armado é sinônimo de estar protegido. Mas não é.
Quem vive sempre na defensiva não apenas evita ser ferido. Também impede que o amor entre, que a confiança floresça e que os encontros sejam verdadeiros.
O desarmamento emocional não significa ingenuidade. Significa coragem.
Coragem para deixar de interpretar tudo como ataque. Para ouvir antes de reagir. Para admitir que nem toda crítica é rejeição, nem todo silêncio é abandono, nem toda distância é desamor.

Experiências dolorosas podem deixar o cérebro em constante estado de alerta, fazendo com que a amígdala cerebral detecte ameaças até onde elas não existem. É por isso que, muitas vezes, reagimos ao presente com a intensidade de feridas do passado.
Desarmar-se emocionalmente é interromper esse ciclo. É permitir que o passado deixe de escrever as respostas do presente.
Talvez a maior força de um ser humano não esteja em levantar muralhas, mas em escolher, conscientemente, quando abaixá-las. Porque uma vida inteira atrás de escudos pode até evitar algumas dores… mas também impede os abraços que poderiam curá-las.
Essa foi a lição que aquele senhor da moto me ensinou. E sou grata a ele…

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui